Diário de gravação (parte 10)


28 de Fevereiro de 2012.

Hoje começamos cedinho com o Leandro gravando as partes que falatavam de baixo. Mais uma vez não pude assistir a essa sessão e quando cheguei ele havia acabado de encerrar suas gravações. Ele gravou “Padma”, uma outra música com influência de sonoridades folclóricas (temos cinco, só nesse disco), nesse caso, sonoridades indianas. A linha de baixo dessa música é composta por um ostinato meio mântrico, com o bordão soando a nota Mi como pedal, perfeita para o clima da música.

Em seguida, ele gravou o solo de baixo em “Sakura”, completando assim a gravação de todos os baixos do álbum! Agora já estão prontas todas as gravações de bateria e baixo.

Como o Leandro acabou bem mais rápido que imaginávamos (segundo ele foi o “vigor da manhã”), eu continuei a sessão de gravação que estava reservada só para o baixo. Primeiro gravei minhas guitarras bases em “Sakura”, começando com as partes de som limpo e depois as guitarras distorcidas do final. Tudo foi relativamente simples, já que tocamos essa música ao vivo há algum tempo. Não gravei o solo de guitarra porque a base dele é feita com koto, que ainda não foi gravado.

Depois comecei a trabalhar em “Griffin’s Shadow”, que é uma música longa, cheia de partes diferentes, algumas bem pesadas, cheia de guitarras distorcidas. Contudo, como não queria montar os stacks ainda, preferi começar com as guitarras mais limpas, que aparecem no refrão, na parte B e no interlúdio da música. Nessa música, uso a primeira e a sexta corda afinadas em Ré (Ré, Si, Sol, Ré, Lá e Ré), e acabei escolhendo a minha Seizi surf green plugada em meu JCM 800 para a gravação.

Comecei pelos refrões, que são feitos com uma sequência de acordes abertos montados com as notas da escala Hira-Dioshi (na qual está baseada toda a composição). Esses acordes abertos são muito valorizados pela afinação com três notas Ré em cordas soltas.


Depois fui para a parte B da música, um momento muito mais tranquilo no qual toco acordes omitindo o som do ataque das palhetas com o botão de volume (volume swell). Utilizei o Phaser GF e o DD2 da Boss para essa parte e escolhi a posição do meio do switch de minha guitarra, com os dois single coils ligados. Deixei o tone do pick up da ponte aberto e o do pick up do braço fechado, dessa forma eu obtive o máximo de agudo do captador agudo e o máximo de grave do captador grave ao mesmo tempo. Gostei muito desse timbre.

Depois passei para o interlúdio da música, uma longa parte instrumental composta por um contraponto entre guitarra, koto e baixo. O grande problema desse interlúdio não é tocar as frases com a Hira-Dioshi, pois já toco essa escala há tempos e já estou acostumado com suas digitações. Complicado é decorar a longa sequência melódica que não repete nenhum um padrão. Além disso, nenhuma das três melodias é ouvida como principal, portanto fica mais difícil de criar uma “guia de memória. Precisei de alguns takes para gravar as duas guitarras dobradas dessa parte, mas o resultado ficou bem legal.


Depois disso, não havia tempo para gravar mais nada. Essa sessão valeu porque pude usar o tempo que sobrou da gravação de baixo para adiantar a de guitarra.

A noite foi a vez da Lorena começar a gravar suas guitarras do disco. Infelizmente não pude ir a essa sessão, mas quando cheguei ao estúdio pude ouvir que ela gravou “The Leaf” e “Penas”. Ela usou o Vox AC30 que pedimos emprestado do Eric Matern, e tirou um timbre incrível! Além dos microfones na boca dos falantes e de ambiência, ela também microfonou a própria guitarra (pode fazer isso porque gravou da técnica) e dessa forma poderemos misturar o som elétrico da guitarra com o acústico na mixagem. Fizemos isso em “Blank” e “Silence” do Obviously Clear, e o resultado foi excelente, porque acrescenta um maior volume ao som das palhetadas.

About cirovisconti

Guitarrista do Diafanes, professor do Conservatório Souza lima e colaborador da Revista Guitar Player myspace.com/cirovisconti myspace.co
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