Definição de compasso II


Fui eu que mandei a pergunta sobre compassos (dicionário Grove). Como o Formspring tem limite de caracteres (coisa q eu detesto) vou mandar mais uma pergunta por e-mail mesmo… Depois eu destrincho no Formspring, caso vc ache mais adequado… Aliás, achei a resposta maravilhosa!!! Santia saudades de ouvir (pelomenos dentro da minha cabeça) vc explicando as suas idéias sobre esses assuntos. E já que estamos nesse esforço de “aprender para explicar” (mesmo pq estou dando aulas de teoria numa escola aqui em Piracicaba), aí vão algumas idéias minhas…
Deixe-me apenas considerar algumas coisas que eu penso estarem corretas:
>Pulsação é um conjunto de pulsos (eventos pontuais que servem como marcações numa linha do tempo) dispostos em periodos regulares de tempo;
>Andamento é o quão rápido se dá a ocorrencia de pulsos dentro de uma pulsação;
>Tempo musical é o periodo decorrido entre dois pulsos de uma pulsação em um dado andamento.
Tendo isso em vista, acho que não me engano ao dizer que a música ganhou uma unidade de medida de tempo quando nela se estipulou uma pulsação com andamento definido, afinal de contas, seja uma unidade de medida arbitrária ou não, espacial ou temporal, sempre é baseada em ciclos ou padrôes regulares. Nesse caso, podemos dizer que há sim uma forma de medir o tempo, que seria estipulando-se ciclos regulares do mesmo. Acredito que o Grove, ao se referir à “distancia”, queria se referir ao nº de tempos decorridos, e não à distancias físicas no papel. Esse é, provavelmente, um dos casos em que faltam palavras no português para explicar um conceito sem deixar margem para duplas interpretações.
Se bem me lembro das aulas de História da Ana Maria (o que eu duvido um pouco…), a música grega antiga não possuia pulsação (ritmo prosódico), o que se manteve até parte da Idade Média. Durante a Renascensa, a música ganhou pulsação (que era a única forma de se fazer música instrumental), porém, ainda sem um senso claro de compasso, pois se dava mais valor ao contraponto entre vozes do que propriamente à acentuação de tempos. Acho – por puro “achismo” mesmo… Sou péssimo em história – que foi só por volta do Barroco que os músicos começaram a perceber uma certa “ciclicidade” entre os tempos, onde o primeiro tempo entre “x” tempos soava mais intenso e propício para começar e resolver frases… Acho q essa é a origem da idéia de compasso.
Considero que estudar teoria musical é estudar a descrição dos elementos audíveis dentro de uma música, e nesse ponto, é inegável que possamos ouvir tempos fortes e fracos e sintamos uma sensação de “ciclo que se fecha” quando isso acontece. Talvês a definição do Grove peque por não descrever como se mede a “distãncia entre tempos fortes” ou até por utilizar “distancia” no lugar de “periodo”, mas não peca no fato de compasso ser exatamente isso, pois é exatamente isso que se ouve.
Claro que essa é uma opinião MINHA… Baseei ela nos MEUS conhecimentos, e portanto, pode estar muito equivocada, já que não sou nenhum expert… Mas acho que, ainda que em estado bruto, parece me fazer bastante sentido que as coisas tenham ocorrido assim… Gostaria de saber o que vc acha dessa minha perspectiva, pois para mim, sua opinião é muito importante e seus argumentos sempre trazem algo de muito enrriquecedor pra mim… É algo que me faz bem, enfim.
Abraços!
Leonardo Delneri (via email)

Nossa essa é das grandes!!! hehe

Bom, como disse eu considero que definir as diversas estruturas musicais é um exercício. Assim, não acho uma boa escolha a palavra “distância” para medir algo temporal (da mesma forma que considero muito ruim essa palavra associada a definição de intervalos como: intervalo é a distância entre dois sons (sic)). Entendo que o início do compasso seja marcado pelos pulsos fortes, mas em minha opinião isso é só uma característica do compasso, e não o que ele é.

Se continuarmos por essa lógica poderíamos dizer que o compasso seria o conjunto ou grupo de tempos entre um pulso forte e outro (olha só, nem faltam palavras em português!), mas ainda assim não considero essa uma boa definição. Acredito que a própria marcação de pulsos fortes se deu para que houvesse divisão na música.

A divisão é uma característica essencial para forma, não há como estabelecer formas sem divisão. Dividimos músicas em períodos, temas, frases, motivos, etc… Penso que conforme essas divisões foram se sofisticando criou-se a necessidade de acentuar ciclicamente a pulsação, e daí surgiram os compassos. Portanto a característica de dividir é anterior a de separar pulsos fortes, e a própria criação de pulsos fortes e fracos surgiu da necessidade da divisão. Daí minha definição…

About cirovisconti

Guitarrista do Diafanes, professor do Conservatório Souza lima e colaborador da Revista Guitar Player myspace.com/cirovisconti myspace.co
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